Tomou susto, torcedor?
Uma moça está longe de seu namorado há um tempo. Infelizmente ela mora distante dele, eles mal se encontram. A relação é conturbada, a garota morre de saudades, às vezes seu amado a trata mal, mas ela persiste e insiste. Apesar das dificuldades, o amor só cresce. Nisso, o moço avisa para a namorada que ele irá visitá-la. Toda empolgada, a moça se prepara, compra presente caro, busca o seu amante no aeroporto e eles passam uma noite feliz lado a lado. Logo no dia seguinte, no entanto, o jovem já não retribui seu carinho, não se importa em se apresentar bem para ela. A amada fica decepcionada. Mesmo assim ela não desiste, fica com ele até o fim da noite, cobra que seu querido mude e só vai embora quando já não há mais tempo para nada. Ela sabe que as dificuldades continuarão durante o ano, haverá altos baixos, o próximo encontro demorará alguns meses, mas ela não desistirá desse amor.
Achou bonita? Essa historinha, porém, é só uma analogia. Nós aqui estamos falando da relação Vasco (o moço) e de sua namorada (a torcida fora do Rio). Tudo aquilo escrito acima se aplica a essa relação. São raras as oportunidades de nós, torcedores vascaínos não moradores do Rio de Janeiro, vermos nosso time jogar. "Ah, mas faz um esforcinho, gasta um dinheiro pra ir em Salvador, Fortaleza, pipipi, popopó". Quem pode de fato faz esse esforço, mas nem todos têm condições e ainda são obrigados a ouvir que não são vascaínos de verdade. A parte que menos se esforça é o Vasco, basta olhar as poucas vantagens do antigo plano "de Norte a Sul" e a fraqueza do marketing no Norte e Nordeste. Todo nordestino se empolgou com esse jogo em Juazeiro, a torcida fez festa no aeroporto, ficou no treino, apoiou, tirou foto, pediu autógrafo. No outro dia foi ao estádio depois de pagar CEM REAIS por um ingresso, cantou, gritou, fez festa. E o namorado, digo, o time? CAGOU em campo. Não passava 30 segundos com a bola, viveu de chutões, individualidade de Marrony e competência de Fernando Miguel.
Quando um setorista anunciou que Valentim provavelmente entraria com alguns reservas no jogo de hoje, alertei num grupo de whats e no twitter que não era para fazer isso, não era hora de arriscar, a classificação valia 600 mil reais (participação + classificação = R$ 1,1 milhão), sem contar que a Copa do Brasil é o único campeonato (não contem o Carioca) em que, de fato, temos alguma chance de vencer. Independente do campo ser ruim, não fazia sentido não usar o que tínhamos de melhor. Falei que o Vasco não podia tomar susto e me responderam com: "Susto da Juazeirense. Tá certo." E aí? Tomou susto torcedor?
Tudo contribuía para que o Vasco se classificasse com tranquilidade. A maioria esmagadora dos torcedores no estádio era vascaína. A diferença da folha salarial do Vasco para a da Juazeirense é absurda: mais de R$ 3 milhões a vascaína e apenas R$ 140 mil a juazeirense. Um time é Série A, centenário; o outro foi fundado em 2006 e jogará a Série D em 2019. Se você olhar as escalações posição por posição, verá que o Vasco ganha em todas. Nosso time, no entanto, ultimamente não nos dá alívio nem numa situação como essa. Apesar do nosso 'técnico' ter usado os titulares (exceto Pikachu), o futebol foi uma vergonha. "Aaah, mas olha esse pasto"; (não se esqueçam que a Juazeirense estava jogando no mesmo estádio que o Vasco), e eu olhei e, esse ano, exceto nos jogos em São Januário, só jogamos em pasto. Isso não impediu que conquistássemos as vitórias com certa tranquilidade (não digo que jogamos bem, nem que fomos organizados, mas não houve sufoco). Andrey, um jogador em quem aposto muito, perdido em campo. Cáceres tomando baile. Entre a defesa e o ataque vascaíno cabia a Ponte Presidente Dutra, que liga Juazeiro a Petrolina, não havia transição pelo chão, ela se dava por meio de chutões. Sexto jogo da temporada e não há um time, mas sim um bando. Sem jogadas ensaiadas... quer dizer, há duas: dois jogadores no escanteio, um toca e o outro cruza, mas alguém faltou ao ensaio; a segunda é "joga pra frente e torce pra Maxi e Marrony resolverem". O resultado disso?
Apesar do gol de Yan Sasse nos dar a impressão de que tudo se resolveria com tranquilidade, para variar, o time tirou o pé e recuou contra a (com todo respeito) poderosa Juazeirense. Não dá. No mesmo ano em que emprestou "Balothales", o Vasco tomou um gol de Balotelli. Oh, mundo cruel. Como se não bastasse o apagão dos refletores, houve o apagão do time. Castán fez pênalti que nem juvenil deveria fazer, quanto mais um jogador de 32 anos com tanta experiência. Virada da Juazeirense. E aí, meus amigos e minhas amigas, a vaca começou a se dirigir para o brejo. O vascaíno nordestino e os de todo mundo já ficaram agoniados, tudo trancado. Antes já havia pensado com meu irmão quem passaria o segundo vexame do ano (visto que o primeiro foi o Botafogo); naquela hora tudo indicava que seria o nosso time. Quando tudo se encaminhava para isso, o nosso melhor jogador em campo, para o bem de todos e felicidade geral da nação vascaína, sofreu (ou não) um pênalti. O dono do time pegou a bola, colocou-a embaixo, assumiu a responsabilidade, partiu para a cobrança e deu alento ao nosso coração apertado. Ufa.
A classificação, contudo, não pode maquiar a tragédia que foi nosso time em campo. Não é possível que com pré-temporada, alguns jogos e uma base mantida de um ano para o outro o time não consiga ter o mínimo de organização em campo. Alguém ou alguéns (sim, essa palavra está correta) precisa ser responsabilizado. O time está sendo mal treinado? Os jogadores estão com má vontade? Estão entrando com salto alto? Os responsáveis pelo futebol precisam urgentemente detectar o(s) erro(s) e consertá-lo(s).
Esse jogo serviu para provar para todos nós que não dá para se empolgar com as vitórias no estadual. É jogo para se lembrar muito e não para esquecer. Foi extremamente útil também para a torcida nordestina mostrar a sua força, fazer com que os dirigentes a valorizem e tomem medidas para aproximar cada vez mais o clube desses torcedores. Nós merecemos mais. O Vasco tem um potencial gigante, só não vê quem não quer.
Domingo tem semifinal e vamos ver se não passamos sufoco. Seguimos juntos.
Saudações vascaínas.
P.S.: se alguém souber me responder se no plano "de Norte a Sul" o par de ingressos vale para qualquer jogo do Vasco ou somente para os jogos em que o Vasco for o mandante, por favor, deixa a resposta nos comentários.


Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMuito bom esse texto
ResponderExcluir