O time do pelo menos
Quando não conseguimos completar a nossa missão, quando acabamos por não realizar uma tarefa da maneira certa ou até quando alguém que gostamos faz algo que nos desagrada, buscamos justificar, afirmar que pelo menos tentamos, pelo menos tomamos iniciativa, pelo menos a intenção era boa. Se você, que agora lê esse texto, é vascaíno, deve estar muito acostumado a ouvir o tal do "pelo menos".
Lembra do ano passado, no jogo de volta da Copa do Brasil contra o Bahia, quando o Vasco conseguiu sair com a vitória de 2x0? Precisávamos de um 3x0 para levar para os pênaltis, assim, a vitória por dois gols de diferença não foi suficiente. O que dissemos e ouvimos depois? "Pelo menos o time se esforçou, mostrou vontade", "pelo menos ganhamos o jogo".
(Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo)
Mais para o final do ano tivemos um confronto contra a LDU. Assim como na Copa do Brasil, saímos atrás. O time equatoriano ganhou, 3x1 foi o placar final. Na volta, uma vitória de 2x0 garantia-nos a classificação. O Vasco criou inúmeras oportunidades, mas não soube aproveitá-las. Adivinhem a conversa do pós-jogo... "Aah, mas pelo menos criou muitas chances", "pelo menos lutamos até o fim". Um bando em campo, um treinador que não conseguia fazer o time jogar, mesmo assim éramos quase obrigados a ouvir justificativas.
Quase um ano se passou e em mais um mata-mata o Vasco saiu atrás. O pelo menos da primeira partida quase surtiu efeito: pelo menos foi só 2x0. Infelizmente, a primeira partida determinou a nossa não classificação. Entramos em campo hoje precisando ganhar por uma diferença de dois gols para decidirmos nos pênaltis. Mais esperançosos por conta da demissão do Valentim, um pouco empolgados com a variação tática que o Marcos Valadares traria à equipe, assistimos ao jogo. Os que foram ao estádio, apoiaram o tempo todo. Os que não podiam ou não quiseram gritaram em casa. O time fez um primeiro tempo que há muito não fazia. Um primor técnico? Absolutamente não. Sorte? Passa longe de São Januário há muito tempo; com 25min dois dos jogadores mais importantes da equipe já haviam sido substituídos. Mas éramos organizados e voluntariosos. Pela competência e empenho conseguimos dois gols, fomos para o vestiário com o placar igualado, o segundo começaria basicamente num 0x0. Infelizmente o físico cobrou no segundo tempo, a pouca técnica ficou mais visível, a intensidade caiu e tomamos um gol. Mais chances foram criadas e desperdiçadas. Não conseguimos a classificação, mas caímos de pé.
O pelo menos de hoje é plausível. Valadares conseguiu fazer em dois dias o que Valentim não fez em oito meses. O time mordeu o jogo todo, foi valente, buscou o resultado e tudo isso de maneira organizada. Fomos eliminados, contudo ficou claro que o time consegue fazer muito mais do que vinha fazendo. O ruim disso tudo é que mais uma vez não passamos do "pelo menos". Até quando durará essa fase? Por mais quanto tempo precisaremos apanhar para aprender? Por quanto tempo veremos um departamento de futebol fraco que não consegue escolher um técnico certo nem demitir um outro na hora correta? Como já disse, a classificação foi perdida no primeiro jogo. Caso Valentim tivesse sido demitido logo após a primeira partida contra o Flamengo, talvez hoje estaríamos comemorando a classificação.
Enfim, não aguentamos mais parar no meio do caminho, mas ao menos começaremos o Campeonato Brasileiro mais esperançosos. Depois do futebol apresentado nessa noite, Valadares ganha pontos e merece alguns jogos comandando a equipe principal. Não dando certo no início, aí sim vale à pena ir ao mercado, principalmente se considerarmos apenas os técnicos brasileiros que estão disponíveis no momento. Vamos em frente, mantendo a pegada dessa quarta, acreditando que é possível e batalhando para ultrapassarmos a barreira do pelo menos.
Saudações vascaínas.
P.S.: se você quer saber um pouco mais sobre os nomes que estão sendo ventilados para assumir o comando técnico, segue o link do vídeo em que falo sobre isso: https://www.youtube.com/watch?v=8jjwUNqJIP0&t=6s .


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