Cultura do resultado não, senhor!

     Ultimamente uma expressão vem sendo bastante utilizada quando se fala acerca da demissão de treinadores. É a tal da "cultura do resultado". E o que é ela? Bom, basicamente significa analisar um trabalho simplesmente pelo número de vitórias e derrotas, desconsiderando a atuação do conjunto, as circunstâncias que levaram a determinado resultado. Deixa-se de lado a análise de desempenho e foca-se apenas no número de pontos conquistados. Essa tal cultura faz com que nos esqueçamos que muitas vezes um time faz uma boa partida e, mesmo assim, sai derrotado, ou que um time é superior ao adversário em 80% do jogo, mas no minuto final sofre um gol.

     A desculpa da "cultura do resultado", no entanto, não serve para a demissão de Alberto Valentim, ao contrário do que grande parte dos jornalistas esportivos e até mesmo, pasmem, do que um ou outro torcedor pensam. Até entendo o posicionamento de alguns 'especialistas', afinal, é muito claro que muitos falam sem acompanhar o clube, outros tantos nem assistem aos jogos; tem narrador que até chama Lucas Mineiro de Lucas Maranhão... São esses que arrotam opinião e desconsideram a visão do torcedor, nós que acompanhamos o time dia e noite. Nossa opinião pouco importa. Felizmente aparecerá um ou outro jornalista/analista que assistiu a alguns jogos e entenderá a bronca do torcedor.
    
    Mas enfim, por que a demissão de Alberto Valentim não se enquadra na cultura do resultado? Bem, em 2019, sob o comando de A.V., o Vasco fez 23 partidas, venceu 14, empatou 4 e perdeu apenas 5 (sendo 2 derrotas para o Flamengo, 1 para o Santos, 1 para o Bangu e outra para a Cabofriense). Cerca de 66% de aproveitamento; em números, muito superior ao aproveitamento de Valentim ano passado, o qual não chegou a 40%. Se a intenção era demitir simplesmente por resultado, Valentim nem teria começado o ano à frente do Vasco. Nesse ano, olhando-se apenas o índice de aproveitamento, o ex-técnico do Vasco fez um trabalho que merecia sequência. Mas, a análise deve ir além, é preciso entender como o time vinha jogando. Fez uma boa Taça Guanabara, conquistou os resultados; contudo, só se impôs como time grande que é na semifinal contra o Resende. Venceu os dois clássicos contra o Fluminense sem jogar bem. Veio a Taça Rio e a falta de qualidade do time se tornou ainda mais visível. No segundo turno, a única boa partida, de fato, foi contra o Boavista e os 20 primeiros minutos contra o Resende.

      Alguns já disseram e outros dirão que, com o elenco que temos, Valentim não poderia ter feito algo muito melhor. Errados. Claramente nosso elenco é inferior ao do Flamengo e ao do Santos, nenhum torcedor esperava vencer com muita superioridade, mas desejávamos e sabíamos que ao menos o grupo poderia atuar de maneira competitiva, o que não aconteceu em nenhum dos últimos 3 jogos, apesar de alguns lampejos hora ou outra. Basta olhar o Fluminense que tem um elenco do mesmo nível do nosso e, mesmo assim, foi competitivo em todos os jogos contra o Flamengo. O certo é que Valentim não encontrou a maneira como o time deveria jogar. Há quem diga que tinha um padrão: o jogo reativo. Mas do que adianta ter um estilo que não funciona? Basta observarmos quantos gols o Vasco fez em contra-ataques rápidos, quantos erros de tomada de decisão foram cometidos na hora de pegar o adversário de surpresa. "Ah, mas a culpa não é do técnico se o jogador escolhe a jogada errada", ora, quem escala o jogador? Quem determina o estilo de jogo do time? É claro que o técnico não é o único culpado, mas ele tem sim responsabilidade e não faltaram oportunidades para provar que merecia continuar à frente; poderia ter feito mais testes, dado rodagem a um maior número de jogadores, tentado esquemas diferentes. 

     A verdade é que Alberto Valentim deveria ter deixado o comando do time do Vasco no final do ano passado, o mais tardar quando sofremos para jogar contra o Flamengo no primeiro jogo da final, mas o amadorismo dos dirigentes não permitiu. Técnico e elenco já não tinham química. Manter Valentim por tanto tempo foi a cultura do resultado, demiti-lo não. Antes tarde do que nunca.

    
      Saudações vascaínas.
      

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