Um dia 23: o começo da derrocada

     Um dia 23 de maio. O ano era 2012. Era dia de jogo, dia de Libertadores, partida de volta. Corinthians x Vasco, Estádio do Pacaembu. O primeiro jogo havia terminado 0x0, assim, qualquer empate com gols classificava o Vasco para a semifinal da Libertadores daquele ano. Um jogo com algumas oportunidades, mas apenas uma grande chance (cabeçada de Paulinho). Isso até os 17min do segundo tempo.

    Mas vamos voltar para um pouco antes desse jogo. 2011 foi um ano de alento para o vascaíno. Depois de anos de sofrimento, um rebaixamento e várias lutas para não cair, um título brasileiro, um time que jogava bola de fato, que reanimou o torcedor vascaíno. Um recomeço na história do clube... Quer dizer, era para ser. Enfim, a conquista da Copa do Brasil e o segundo lugar no Campeonato Brasileiro garantiram o Gigante da Colina da Libertadores 2012. Estávamos de volta à competição mais importante do continente depois de uma década. Com 13 pontos na fase de grupos, avançamos para as Oitavas de Final e enfrentamos o Lanús. Nos pênaltis, chegamos às Quartas de Final e aí veio o Corinthians.

     Voltemos, então, aos 17min do jogo contra o Corinthians. Depois de Fernando Prass dar um soco na bola, esta sobrou para Alessandro que, da intermediária, tentou mandá-la de volta para a área. Diego Souza pulou à sua frente, a bola bateu na sua perna e sobrou para ele. Do meio campo até a entrada da área o número 10 vascaíno levou a bola sozinho. Ficou cara a cara com Cássio. Era a chance de praticamente garantir a classificação, chance de chegar à semifinal da Libertadores, oportunidade de ouro, chance de eliminar um dos times mais fortes daquele campeonato. Totozinho por cima, corta e chuta, se aproxima mais do goleiro, chuta alto, bate no contrapé... Eram muitos jeitos de fazer o gol (claro que depois de 7 anos, vendo o lance em casa, é muito mais fácil de falar). Mas Diego Souza desperdiçou essas chances. Chutou tirando do goleiro, à esquerda de Cássio, que fez uma das defesas mais importantes de sua carreira. Aos 42min, Paulinho fez o gol que garantiu o time paulista na semifinal da Libertadores 2012. Estávamos eliminados e, daí em diante, foi basicamente ladeira a baixo.

                                                                    (Foto: Ari Ferreira)

   O que parece é que, depois daquele jogo, tudo voltou a dar errado para nosso clube. A nova derrocada começou ali. Fomos eliminados, terminamos o Brasileiro apenas na quinta colocação, sem nos classificarmos para a Libertadores de 2013, problemas financeiros, crise interna... E tudo isso continua até os dias de hoje.

    O questionamento é "até quando?". Até quando durará essa fase? Isso é apenas uma fase? O fundo do poço não vai chegar nunca? E, se um dia alcançarmos um bom momento, isso será somente um alento ou uma consolidação como clube organizado? 
   
     Esse texto é só uma nostalgia e uma revolta. Nostalgia pelos dois únicos anos realmente felizes torcendo pelo Vasco (no meu caso) e revolta pelo que aconteceu após esses anos. É triste o que vivemos e as previsões não são boas. Queria que a culpa disso tudo fosse só do Diego Souza, mas ele é só um cubo de gelo no meio do Polo Norte; perder gol é normal/comum, até aceitável. O que não é aceitável é essa constância: a constante incompetência que nos afunda cada dia mais.

      Saudações vascaínas.

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