Sem forçar a barra
Pausa nos assuntos que cercam o Vasco para falar de futebol de uma maneira geral. A Copa do Mundo de Futebol Feminino começou e assuntos envolvendo machismo, empoderamento, igualdade e etc. vem à tona com mais força. E, assim como em outros temas, opiniões equivocadas e sem fundamentos aparecem dos dois lados da moeda. Uma parte vem com o ponto de vista de que futebol não é para mulher, "ninguém gosta disso", "vai lavar uma louça"; outra parte parece querer empurrar goela abaixo a ideia de que todo mundo é obrigado a assistir e apreciar o futebol feminino. A menor das partes é que aparece emitindo uma opinião sem forçar a barra, com ponderações e respeito a todos(as).
(Logo da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019/FIFA)
(Logo da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019/FIFA)
Todos nós sabemos que o futebol mais assistido, mais comentado e, por que não dizer mais financeiramente importante, é o masculino. A maioria de nós acompanha de perto vários times masculinos e, apenas vez ou outra, uma partida feminina. Não há como negar. Nos últimos anos, no entanto, o futebol feminino vem sendo mais respeitado, visto e valorizado, o que é EXCELENTE! As mulheres passam a ser mais respeitadas, as condições de trabalho se tornam melhores, a valorização profissional é maior e, também, para mim, quanto mais futebol melhor. O problema aparece quando uma parte tenta impor algo ao público.
Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado a gostar de algum tipo de esporte, alguma modalidade. Nada deve ser imposto, cada um é livre para gostar do que quiser. Há, contudo, quem não respeite isso. Por que não posso preferir a modalidade masculina? Por que não posso gostar mais da feminina? Ter preferências não é erro. Há um problema na sociedade de que tudo se torna polêmica. Abra a boca e diga que para você é mais divertido assistir a um jogo masculino e prepare-se para ser apedrejado(a). As pessoas nem esperam sua justificativa. Eu posso preferir essa modalidade por conta da intensidade do jogo, pelo estilo praticado... Ou não? Isso me qualifica como machista? De forma alguma. A luta pelo reconhecimento ao futebol feminino precisa acontecer, mas sem condenar quem não conhece muito dessa modalidade, sem apontar o dedo como se todos fossem machistas, sem polemizar, sem obrigar as pessoas. Há quem goste mais do masculino do que do feminino simplesmente por GOSTO. Aqui vos fala uma pessoa assim. Jogo bola desde sempre, tenho certeza que muitas mulheres jogam e entendem mais de futebol que muito homem por aí, mas continuo preferindo assistir ao futebol masculino. Assim como acho o vôlei feminino mais técnico e o masculino mais físico.
Outro ponto em destaque nessa Copa é a questão financeira: salários das jogadoras, valores de patrocínios... Já estou preparada para ser receber críticas por conta dessa opinião: ganha mais quem mais tem visibilidade. Num comparativo aleatório de seguidores no Instagram, por exemplo, Marta, uma das jogadoras mais importantes e conhecidas do mundo, tem cerca de 1,5 milhões de seguidores, enquanto o bom goleiro mexicano Ochoa tem 1,9 milhões. Se você participasse de uma enquete sobre quem é mais importante para o futebol "Marta ou Ochoa", certamente votaria em Marta. Mesmo assim, considerando o número de seguidores, a maior visibilidade seria do goleiro e não da atacante e é assim que o capitalismo acaba funcionando. Quem tiver maior visibilidade, maior capacidade de influência, conseguirá os melhores e mais rentáveis contratos, os melhores patrocínios. Não adianta simplesmente bater o pé exigindo que se pague o mesmo para ambos, porque isso não acontecerá enquanto não for rentável para as marcas. A briga deve ser primeiro por visibilidade, melhoras nas categorias de base, na formação das jogadoras, verdadeira profissionalização do futebol feminino e, avançando nessas temáticas, poder-se-á exigir algo.
Quanto a vocês que vêm carregados de pedras para lançar sobre quem tem opiniões preconceituosas sobre o futebol feminino, cheios de si, considerando-se os mais politizados do mundo, muita hora nessa calma. Eu posso apostar que grande parte de vocês há uns 10 anos atrás ou na época em que estavam no Colégio achavam esquisito quando uma menina preferia jogar bola do que ficar conversando, muitos inclusive deviam, mesmo sem externar, considerar essas meninas como "mulher macho" (perdoem o termo), é possível que alguns até preferissem não 'se misturar' com esse tipo de garota. Hoje, no entanto, já mudaram de opinião, evoluíram. Pensem, então, que, se até vocês conseguiram deixar o preconceito de lado, outros tantos também podem conseguir, mas não na base da agressão verbal, não por meio de xingamentos, mas com luta e conscientização.
Para terminar, é preciso aceitar que sempre haverá diferenças entre a categoria feminina e a masculina. O estilo, a intensidade, o modo de pensar o jogo, a força física, a tática e a técnica sempre apresentarão diferenças. Entender e defender isso não é ser preconceituoso. Busquemos respeito e reconhecimento, mas sem forçar a barra. Ninguém é obrigado a nada. Vida longa ao futebol.
Saudações vascaínas.



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