Quando o resultado não reflete a atuação
De volta ao Brasileirão, o Vasco enfrentou o Grêmio no último sábado. O resultado não é honesto com o que foi o jogo e, por isso, apesar dos números finais, o desempenho traz ânimo e esperança ao torcedor. Não vou falar de VAR nem nada de arbitragem, esse já é um assunto que rendeu muito. O time carioca é limitado, fato, não é um primor técnico, todos sabem, mas mostrou que pode render bem mais do que vinha rendendo com Alberto Valentim e com o próprio Luxemburgo nos dois primeiros jogos à frente do time. Busca compensar a falta de técnica com empenho tático, linhas próximas e pegada na marcação. A chegada de Vanderlei e a intertemporada também promoveram melhoras na condição física dos jogadores (não vi nenhum jogador com a língua para fora no fim do jogo).
A proposta do cruzmaltino era clara, assim como a do tricolor gaúcho. Este preza mais pela posse de bola, houve um momento em que a posse era 75% x 25%, troca de passes e movimentação em busca de espaços. Já o time vascaíno é mais vertical, busca definir suas jogadas de maneira rápida, rouba a bola e já busca criar as jogadas. Além disso, o Vasco aposta muito nas jogadas de bola parada, o que novamente surtiu efeito. Depois de uma jogada de escanteio, o zagueiro Henríquez sofreu um pênalti e Pikachu, extremamente eficiente nas penalidades (não me lembro de ter perdido algum enquanto jogador do Vasco), converteu. Aliás, Pikachu é um dos jogadores que vem evoluindo sob o comando de Luxa. Também foi ele o responsável pelo belo gol, infelizmente anulado.
O Vasco apresentou evolução já nesse primeiro jogo pós Copa América. A saída de bola não é perfeita, mas já é executada de uma maneira melhor. A marcação é mais em cima do que nos tempos de Valentim, o time morde e incomoda mais o adversário quando este tem a bola. Podemos ver um exemplo disso em dois lances já no fim do primeiro tempo, quando o time recuperou a bola no campo de ataque e criou duas boas chances de gol. Essas duas chances, no entanto, também evidenciam um problema do time: falta de qualidade técnica, o que interfere no momento de finalizar as jogadas ofensivas. No primeiro lance, Valdívia carregou a bola, tinha a opção de abrir a bola na esquerda para Marquinho ou finalizar. Optou pela segunda e isolou a bola, não chegou nem a assustar Paulo Victor. No segundo lance, Raul recebeu a bola na direita, conseguiu avançar, mas cara a cara com o goleiro gremista, não conseguiu converter a chance em gol, digamos que faltou o cacuete de atacante. No segundo tempo, em uma jogada pela esquerda, a bola sobrou dentro da área com Marcos Jr. que, assim como Valdívia e Raul, finalizou mal. É preciso, portanto, aprimorar a parte técnica, melhorar o poder de finalização do time, pois erros acontecem, mas há chances que não podem ser desperdiçadas.
Outro aspecto a se observar é a disparidade entre o lado direito e o lado esquerdo ofensivo. Pela direita é onde o Vasco cria suas melhores chances. A dupla Pikachu/Rossi funciona bem e também, por vezes, conta com o apoio do volante Raul. Se observarmos no vídeo (final do texto), veremos que Rossi cai mais pela beirada e abre um espaço mais ao meio para o avanço do nosso lateral direito. A movimentação de Valdívia também foi importante, pois prendeu a marcação do jogador gremista. A jogada também não foi algo de improviso, um setorista do Vasco alertou que foi uma jogada treinada durante esse período sem jogos. Já o lado esquerdo ficou morto durante o jogo e só ressuscitou com a entrada do garoto Talles Magno.
Além dos problemas na finalização, outro erro que me chamou atenção nesse jogo foi a falha de marcação do lado esquerdo da defesa vascaína. Todos sabemos, e não é de hoje, que Danilo Barcelos está longe de ser um primor na marcação, mas esperava-se uma evolução depois da parada. Contudo, apresentou os mesmos problemas nessa volta. O lado esquerdo dá muito espaço para os adversários e, volta e meia, toma bola nas costas (observar o vídeo). Isso precisa ser melhorado tanto pelo lateral quanto pelo volante que cai pelo lado esquerdo.
Infelizmente, mais uma vez, tomamos um gol no final do jogo (41'2T), algo que corrobora com o que vinha comentando com um vascaíno antes do jogo: é preciso máxima concentração do início ao fim. Um time limitado não pode bobear! Derrotas virão, não podemos achar que o Vasco vai vencer todas (longe disso), mas não podemos perder para nós mesmos.
A última observação que eu gostaria de fazer é sobre as escolhas de Luxemburgo. No pré-jogo do Cafezinho Carioca havia comentado que era um erro utilizar Marquinho já nesse jogo, ainda mais como titular. Como visto no jogo, o time carioca buscava jogar no contra ataque, avançando com velocidade e isso foi prejudicado pela presença do camisa 8, que estava visivelmente sem ritmo de jogo e ficou desaparecido quase que o jogo todo, Vanderlei ainda demorou muito para substituí-lo. Apesar de não estar na sua melhor fase, ainda penso que Marrony é melhor opção que Marquinho; Luxa pode, também, dar uma chance ao garoto Talles Magno, o qual entrou bem nesse jogo e contra o Botafogo, jogador que mostra ter muita personalidade e, claro, qualidade. A entrada de Lucas Mineiro também não fez sentido. Marcos Jr. não fazia uma partida ruim e Lucas não entregou nada demais ao time (a não ser um lance de bola aérea no fim do jogo).
Vasco volta a campo contra o Fluminense, no sábado, às 11h, em São Januário. Promessa de casa cheia num horário um tanto incomum. É jogo de 6 pontos e contra nosso grande freguês, só a vitória interessa. Se você tem condições de ir, faça-se presente na nossa casa.
Clica aí no link para ver pequenas observações sobre quatro lances do jogo:https://m.youtube.com/watch?v=GSyR1HK-QOQ . Inscreva-se no canal, e siga a gente no Twitter: @DonaDoMeioCampo.
Saudações vascaínas.


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