Olhar para frente

    Em meio à maresia dos tempos de isolamento social, eis que me aparecem num desses grupos do Vasco com um tweet do jornalista Bruno Andrade informando que hoje haveria uma reunião com o intuito de discutir nomes para ocupar o cargo de treinador do nosso time. Se o tweet tivesse acabado no "para discutir o futuro treinador", estaria tudo, ou quase tudo, em paz. O problema é que não terminou ali. O jornalista finalizou a notícia com: "Há quatro nomes "mais fortes" em cima da mesa no momento, sendo dois brasileiros e outros dois portugueses: Alberto Valentim e Zé Ricardo; Sá Pinto e Rui Almeida." É inacreditável, mas aparentemente verídico, senhoras e senhores, Alberto Valentim e Zé Ricardo são possibilidades de contratação.

   Já dizia um grande filósofo contemporâneo, vulgo meu irmão: "o Vasco tem um grande passado pela frente". É isso que podemos pensar quando vemos nomes como os de cima serem especulados como possíveis futuros treinadores. Não aprendem e não mudam. Ambos, Valentim e Zé Ricardo, tem passagens muito recentes pelo clube. Para quem ver Zé Ricardo como uma opção eu até dou uma aliviada pelo falo dele ter levado um time mediano a participar de uma Libertadores, fez um trabalho relativamente bom. Ok. No entanto, do meio para o fim perdeu a mão. Zé era (ou ainda é) teimoso; insistiu com jogadores que qualquer um sabia que não dariam certo, abriu mão de usar a base para colocar medalhões no lugar e, por fim, não aguentou a pressão do cargo (imagina agora) e pediu demissão (não tenho rancor em relação a ele). Dito isto, passemos para o caso mais preocupante: Alberto Valentim. Sério, sem condições.

   Valentim sustenta uma pose de técnico estudioso. Gosta de falar muito nas entrevistas, mantém estilo galanteador; talvez tudo isso para mascarar a incapacidade como técnico de futebol (pode ser que um dia mude, tomara que sim). Mesmo com toda fraqueza do elenco, não há como passar pano para um treinador que em 20 jogos em 2018 conseguiu apenas QUATRO vitórias. Em 2019, obviamente o número foi elevado, ainda conquistamos a Taça Guanabara, mas estamos falando de Campeonato Estadual e alguns jogos do início sofrível da Copa do Brasil. Além disso, como Zé Ricardo, era teimoso. Insistiu em escalar jogadores como Yan Sasse, o intocável Lucas Mineiro... O time era um bando. Depois do Vasco, voltou ao Botafogo e, se quiserem saber se alguém por lá curtiu, pergunta a um colega botafoguense (pode ser difícil achar, mas você consegue). Foi demitido também. Agora, se puderem, me respondam: como ele pode ser considerado uma opção para assumir o time do Vasco? 

  Pois bem, considerando tudo isso, quem poderia/deveria assumir o comando do time? Sinceramente? Não sei qual seria o melhor nome, mas é muito fácil determinar aqueles que não podem de maneira alguma entrar em pauta. Não dá mais para escolher um técnico com a justificativa de "ah, já conhece o Vasco, sabe como é o ambiente", "já passou por aqui", "jogou em 1980"; hora também de começar a rechaçar as falas "tem que ser alguém para blindar o elenco". Olha, penso que o primeiro aspecto a se considerar numa contratação de técnico é a capacidade de montar e treinar um time; essa é a função primordial de um técnico de futebol!! Seria interessante encontrar algum nome que conseguisse treinar bem e, ao mesmo tempo, resguardar o elenco diante da crise que enfrentamos? É claro. Mas isso é a segunda condição e não a primeira. Basta tomar Abel como exemplo. Parece ter as características de paizão, é um treinador experiente, mas já não rende à beira do campo (pelo menos não no momento). Apostaria em alguém que fuja dos "mais do mesmo"; alguns estrangeiros estão em pauta, há também Thiago Larghi, nomes que já fogem do padrão Vasco. É certeza que um desses dará certo? Não, mas é uma tentativa nova, uma fuga de erros já cometidos.

   Os mais inteligentes aprendem com os erros dos outros. Faz parte também aprender com os próprios erros. No Vasco, no entanto, as coisas parecem não funcionar desse modo. Errar uma vez é humano, permanecer no erro é burrice. É preciso olhar para frente.

     Saudações vascaínas. Fiquem em casa!

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