A maior da história

   Todo mundo que já viveu uma situação histórica tem alguma boa história para contar. E, se você não conseguiu vivê-la no momento em que aconteceu, vale a pena achar uma maneira de vivenciá-la. Bom, eu tenho três pequenas histórias: duas de outros e uma minha.

   Quando seu time termina o primeiro tempo do jogo com uma vantagem de três gols, você acha possível que ele perca? Francamente isso só seria possível caso você fosse tão pessimista quanto minha mãe. Não sendo, certamente já estaria comemorando a vitória e, considerando que era a final de um campeonato, o grito de "é campeão" estaria ressoando pelo lugar no qual estava assistindo o jogo. Com o placar marcando Palmeiras 3 x 0 Vasco, meu tio resolveu dormir, quinta-feira era dia de trabalho. No outro dia, acordou na certeza de que o time paulista tinha conquistado o Mercosul e foi trabalhar vestido de Palmeiras. Imaginem a cara que ele deve ter feito quando lhe contaram o que acontecera nos 48min que durou o segundo tempo daquela partida. Essa foi a primeira história sobre o maior jogo da história. A segunda vem agora.

    Todo mundo que nasce perto do Natal é um pouco azarado, afinal de contas isso é uma grande justificativa para unificarem seus presentes, aí você só recebe um. Mas se o meu "presente unificado" fosse meu time virar um jogo fora de casa, numa final de campeonato, estando perdendo por TRÊS gols de diferença, eu ficaria uns 5 anos em paz sem ganhar presente. Conheço alguém que teve esse privilégio. A final do Mercosul de 2000 aconteceu em um 20 de dezembro. Foi em outro 20 de dezembro que meu irmão nasceu. Sabe a história de "os humilhados serão exaltados"? Pois então. Na metade do jogo, alguns amigos flamenguistas resolveram ir até a nossa casa perturbar meu irmão; claro que ninguém abriu a porta para eles. O que aconteceu no fim todos já sabem: virada histórica, Vasco campeão. E aí, meus amigos e minhas amigas, nem Usain Bolt seria capaz de alcançar meu irmão correndo pelas ruas comemorando o título.


                                                                (Imagem: TV Globo)

    A terceira história é a minha. Se você, assim como eu, tem menos de 28 anos, dificilmente se lembrará de algum outro grande título que o Vasco tenha conquistado além da Copa do Brasil de 2011. Sendo assim, só nos resta assistir a alguns jogos antigos. Foi o que fiz nesse 11 de maio. Vasco x Palmeiras no youtube; pipoca e coca cola, família e celular para gravar as melhores partes. Obviamente já tinha visto aos gols desse jogo e assistido alguma reportagem sobre ele, mas ainda não o tinha assistido por inteiro. Não foi como assistir a um jogo ao vivo, mas eu garanto que houve emoção. Se eu reclamei dos jogadores? Imagina. Acham que eu não reclamei com o árbitro que não viu um pênalti claríssimo no Filho do Vento? Se aquilo não foi pênalti, não sei mais o que seria. Meus pais tiveram a certeza de que o Vasco me deixa louca? Sim. A partir do terceiro gol eu e minha mãe já gritávamos. Rimos dos palmeirenses chorando e de um que exibia orgulhosamente um cartaz de "eu já sabia" (será que sabia mesmo? Rs), confirmamos que a bola sempre procura o craque, comemoramos a virada. Vimos o Gigante da Colina campeão novamente. Meu pai fez uma piada infame que eu preciso compartilhar: "sabe porquê o Palmeiras não ganhou? Porque só tinha um Arce, e o Vasco tinha onze (o patrocínio na época era da Ace). Se bem que naquele dia um certo zagueiro não podia ser considerado jogador do Vasco, mas enfim... Uma lembrança boa foi criada na quarentena, e essa é a minha história.



     Há alguns dias Vasco 4 x 3 Palmeiras foi eleito o maior jogo da história de clubes brasileiros. Não podia ser diferente. Apesar disso essa não será a maior virada da história do futebol porque isso ficará a cargo da volta por cima que o nosso clube dará. Não é estranho que um clube gigante como o nosso tenha tão poucas conquistas nas últimas duas décadas? Nesse momento, estamos perdendo de 3 x 0 ou mais. Torcedores como eu (me refiro à idade) e todos os outros são como aqueles que não dormiram no intervalo: sobrevivem da história e de um amor gratuito e incondicional. No entanto, o segundo tempo virá e viraremos esse jogo, sairemos vencedores. O Gigante da Colina passará por isso e aí sim celebraremos a maior virada da história do futebol e contaremos essa história daqui a 20 anos. Como diz a plaquinha que o Caíque, icônico vascaíno que estava na arquibancada naquele 20 de dezembro de 2000: FÉ!

    Se você tem alguma história legal sobre esse jogo, conta ela aí nos comentários pra gente poder ler.
    
    
    Saudações vascaínas.

Comentários

  1. Lindo seu texto! Essa minha filha é doida pelo Vasco. Kkkk eu também gosto. Mas nem tanto.

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