Entrega

    "Mas entrega e empenho não faltaram." Como dizem: o tweet é esse. Isso foi um pedacinho da entrevista do Fernando Miguel no final do jogo dessa quarta. Não é piada, infelizmente. Mas talvez nós não tenhamos entendido o sentido da fala dele; de repente estava falando de outro tipo de entrega: a entrega do jogo para o adversário.

    Bom, se já é difícil vencer um clássico, imagine tendo que buscar a vitória desde o primeiro minuto, jogando com dois a menos e insistindo em quem já provou ser incapacitado para ocupar a vaga de titular. E estar com dois a menos não significa que jogávamos com nove, mas sim que o Botafogo jogava com treze. Se Ramon queria entrega do time, conseguiu. O time nos primeiros 20min entregava a bola para o Botafogo com a tranquilidade de quem toma um cafezinho depois do almoço. Com um total de zero chances claras criadas no primeiro tempo, parecia que o Vasco é quem jogava pelo empate.

    Num clube da grandeza do Vasco, o mínimo que se espera é disposição para jogar. Os jogadores, no entanto, custavam a chegar no ataque, aparentemente corriam com um saco de cimento nas costas. Troca de posições zero. É tão difícil inverter os pontas umas duas vezes durante o jogo? Mobilidade inexistente. Raça? Só da parte de Andrey, que travou duas vezes os jogadores do Botafogo e fez uma falta providencial, e de Castan, com ótimo posicionamento e combate no um contra um (mais uma partida sem ser driblado, vale ressaltar).

    Ao contrário do que nosso goleiro disse, entrega foi o que faltou. Entrega de qualidade técnica, o que já era esperado, afinal, ninguém em sã consciência olha para nosso elenco e enxerga potencial técnico elevado. Entrega de posicionamento tático: basta reparar no buraco que volta e meia aparecia no meio campo, vide a bola que Honda carregou SOZINHO ao longo de uns 15m; além do já falado engessamento dos jogadores que não se movimentavam em busca de espaço. E mais, faltou algo imprescindível ao menor dos times, imagine ao Vasco da Gama: raça, vontade, ânimo! Observem uma dividida entre Pikachu e um jogador do Botafogo, a falta de firmeza na hora de travar a bola, foi ridicularmente vencido. Nem nos minutos finais se viu uma gana para vencer, para ganhar as bolas. Marcação frouxa, sem pegada. Nenhum apetite pela bola.

    Entregaram mesmo. Não vontade, mas sim a classificação de mão beijada. O alvinegro levou a classificação sem obrigar nosso goleiro a fazer UMA defesa difícil durante o jogo. Onde falta técnica e inspiração, deve sobrar transpiração.

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