O pau que dá em Chico...
Já ouviu falar em isonomia, igualdade, equidade, imparcialidade, uniformidade...? Os árbitros de futebol não. E como se não bastasse a falta de critério entre os membros da classe, essa qualidade não está presente nem mesmo dentro de cada um.
Para os donos do apito, o pau que dá em Chico, não dá em Francisco. E não, isso não é choro, nem é a primeira vez que acontece. Mas ontem foi escandaloso, revoltante. Se você não deu tapa na mesa, bateu a porta, arremessou algum objeto durante ou após o jogo, parabéns, você alcançou um grau de paciência extremamente elevado.
Quem veio para diminuir a quantidade de erros cometidos pela equipe de arbitragem não anda cumprindo seu papel. O VAR, contrariamente à sua proposta, vem trazendo mais problemas que soluções, isso no contexto do Brasil. Primeiramente, há uma "caça às bruxas"; lances em que nem mesmo os jogadores do time adversário se queixam de algo são revisados e revisados; perde-se tempo, procura-se de toda forma encontrar um contato da mão com a bola; imagens inconclusivas fazem o árbitro de campo mudarem de ideia em suas decisões; linhas de impedimento são traçadas de maneira no mínimo duvidosa. E talvez o pior: lances extremamente semelhantes passam por avaliações diferentes. E aí está o cerne da questão.
Por que Castan foi expulso, mas Gregore não? Sim, a expulsão do capitão vascaíno foi acertada. Apesar de não haver intenção (o próprio goleiro declarou que não viu maldade no lance), Castan mereceu a expulsão. Mas por que o lance do volante do Bahia não foi passível nem mesmo de revisão? Por que Wilton Pereira Sampaio, que estava inclusive próximo ao lance, não foi chamado para rever a solada de Gregore na coxa de Benítez, mas logo foi alertado quanto à falta de Castan? O que explica? Tudo isso dentro de uma mesma partida. Há outras comparações que podem ser feitas: a cotovelada de Henrique foi mais forte que a solada de Gregore? O pisão de Juninho Capixaba no final do primeiro tempo foi normal?
No momento do calor, na emoção do jogo, não há como não pensar que há má intenção. Com os ânimos menos exaltados, consideramos também outras opções. A clara falta de critério, o despreparo dos árbitros, pressão externa (lembram que há poucos dias surgiu a ideia de que havia uma espécie de conspiração para salvar os times do Sudeste e rebaixar os do Nordeste?)...
Durante a noite me lembrei de uma outra expulsão bem parecida com a desse jogo. Exatamente contra o Bahia, estádio da Fonte Nova. Ricardo foi com a sola do pé numa bola e acertou Gilberto. Na hora o juiz nada viu. O VAR, então, o acionou. Depois de revisado, pênalti bem marcado para o Bahia. Expulsão, no entanto, na minha opinião exagerada. Estava no estádio naquele dia e lembro que voltando para a casa na sexta-feira ainda justifiquei minha opinião para um homem que estava na mesma lanchonete que eu. É até mais compreensível critérios diferentes sobre o que é ou não falta ou lance de cartão em partidas apitadas por árbitros distintos, mas pelo mesmo? Não há defesa.
No mais, não é porque o Vasco fez uma partida pobre e pouco criativa que não se deve falar de arbitragem. Fomos sim claramente prejudicados, e quem discorda coloca o clubismo acima do bom senso e da justiça. Uma expulsão de Gregore poderia mudar tudo; seria meio tempo a mais para buscar um gol; Castan poderia não ter sido expulso e não o perderíamos para o clássico de quinta; poderíamos abrir quatro pontos da zona... O prejuízo foi grande e a mídia jamais repercutirá a não expulsão do jogador do Bahia da mesma forma que repercute o vermelho do zagueiro vascaíno. Enfim, agora resta à diretoria fazer sim pressão na CBF, mostrar indignação, não buscando um favorecimento para o clube, mas sim o respeito ao princípio da isonomia. Quinta tem mais e, contra eles, sabemos que o adversário não é apenas o time da Gávea.
Saudações Vascaínas.


A ferramenta do VAR pode ajudar muito o futebol. Mas não tem ferramenta que funcione quando o usuário não quer que a coisa ande.
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