20/11

  "repúdio ao terrorismo e ao racismo." Art. 4º, inciso VIII, CF/88

   Em 07 de abril de 1924, o negro não era como o branco; não havia espaço para ele no futebol, este esporte era para outros, os brancos. Um certo clube, no entanto, não aceitava essa situação e não se calou. Dessa maneira, o seu presidente, Augusto Prestes, assinou um manifesto conhecido como "Resposta Histórica": o Vasco naquele momento se recusava a participar da divisão principal do futebol do Rio de Janeiro sem usar os seus jogadores negros.


       Esse momento histórico, no entanto e infelizmente, não foi suficiente para combater o racismo no futebol e muito menos na sociedade como um todo. 95 anos depois da Resposta Histórica continuamos precisando combater o racismo. Negros ainda são mal vistos, discriminados, insultados, agredidos, mortos...

      Em 2011, o Vasco estampou uma imagem em sua camisa negra, a número 3 daquele ano, em que dizia: respeito igualdade. Ainda insuficiente para combater essa discriminação nos gramados.



     Após uma banana ser atirada em campo quando ainda jogava no Barcelona, no ano de 2014, Daniel Alves resolveu responder ao ato racista de uma maneira digamos que criativa: comeu a fruta e prosseguiu com a cobrança de escanteio. Mas aquele gesto também foi insuficiente para combater o racismo no futebol.
      
       Em 2015, o Grêmio acabou por ser eliminado da Copa do Brasil (após perder 3 pontos) por conta de ofensas racistas advindas de parte de sua torcida contra o goleiro Aranha, o qual atuava pelo Santos naquela ocasião. A decisão, porém, não impediu que parte da torcida gremista voltasse a agir de maneira racista no atual ano. Um absurdo.

       Em 2019, pleno século XXI, o homem já foi ao espaço, mas ainda não consegue ver que brancos e negros somos IGUAIS. 
       
       O que ainda precisa ser feito para que atitudes racistas parem de acontecer de uma vez por todas? Passeatas, brasões em camisas, faixas na entrada dos times no gramado, minuto de silêncio pelas vítimas negras, panfletagem, perda de pontos... Parece que nada disso alcança seu objetivo de maneira plena. É preciso, portanto, maior conscientização na sociedade, começando com os mais novos e chegando aos de idade mais avançada. É necessário punir com maior eficiência e de maneira mais rigorosa. Só multar um clube não adianta, pois esta é paga e no próximo jogo tudo continua igual. Além disso, nem sempre a instituição esportiva é a responsável pelo ato racista. Use-se a tecnologia para identificar de onde o insulto surgiu e puna-se penalmente o responsável pelo racismo. Clubes, atentem-se para o fato de que o prejudicado pelo racismo não vai ser simplesmente vocês no que se diz respeito a perda de pontos: o maior lesado é aquele que sofre o preconceito. 

     Vasco, já lutamos por negros e operários, mas, infelizmente, hoje em dia me parece que a luta vem sendo pouca. Usa-se pouco o marketing do clube para combater a discriminação, pouco se faz. O que aconteceu com o clube do povo? Precisamos resgatar essa identidade e buscar combater com criatividade e eficiência essa mazela que ainda assola nosso povo. E atenção, vascaínos, não adianta cantar "Camisas Negras" na arquibancada e depois ser um babaca. A gente teve que lutar contra o racismo e continua com essa obrigação.


    Saudações vascaínas e um bom Dia da Consciência Negra para todos(as).

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