Afinando a pontaria
Volta e meia a gente se pega em uma situação de "quero economizar dinheiro" e "mas só se vive uma vez". Há os que acabam optando por economizar e também os que escolhem torrar o dinheiro. Mas é possível viver num equilíbrio: há momentos para se gastar mais e há momentos de poupar dinheiro para ser investido mais à frente. Podemos dizer que o Vasco vive a mesma situação.
Há muito tempo sofremos com elencos medíocres, isso é fato. O Vasco tem o péssimo hábito de contratar refugos e jogadores que nunca foram destaque, além de, diante do desespero, inchar o elenco ao longo da temporada. Falta planejamento e um investimento correto. Para contratar bem e montar um bom elenco, é necessário observar o mercado, ficar atento em competições como a Série B, abrir os olhos para os times da América do Sul e, por último, mas não menos importante, olhar a base com carinho. Mais certo que isso é que 2020 vem aí e o Vasco precisa se programar. Pensando nisso, Luxemburgo já avisou: é preciso um investimento de risco.
Mas o que seria esse tal investimento de risco? Bom, a maioria está interpretando como deixar todo plano de recuperação financeira de lado e contratar sem antes olhar as finanças do clube. Faço, no entanto, uma outra interpretação. Nosso grupo é cheio de jogadores de mediano para baixo e daqueles considerados "jogador para compor elenco". Mas não podemos suportar uma temporada completa somente com jogadores que compõem elenco. Faz-se necessário alguns jogadores de maior destaque, outros com capacidade de chamar a responsabilidade, atletas com capacidade de liderar. Claro, não se pode fazer loucura, ainda vivemos em tempos de austeridade.
Vamos fazer uma análise por cima. No início do ano o Vasco tinha 5 jogadores que juntos representavam quase 50% da folha salarial do clube; eram eles: Maxi López, Bruno César, Ramon, Breno e Fellipe Bastos. Cerca de 1,2 milhão de reais. Dinheiro desperdiçado com um jogador fora de forma e que já não se destacava em Portugal, com um animador de torcida, com outros dois que passaram basicamente o ano inteiro no departamento médico e com um outro que deixou o clube no meio do ano. Faz sentido para você?
Outra análise. O que é melhor: ter 13 meio campistas medianos ou ter 7 em que ao menos 2 apresentam maior potencial técnico e tático? Pois bem. Pelo site oficial (e considerando o Guarín), o Vasco conta com 13 jogadores de meio (considerando volante e meias armadores). NENHUM acima da média. Comparemos com agora com a quantidade de zagueiros (posição que penso ser a mais bem servida do elenco): são 7 zagueiros, sendo 1 deles de muita qualidade e 1 de bastante potencial e que cresceu muito nesse ano. Isso mostra que quantidade nem sempre é qualidade. Elencos inchados são, em grande parte dos casos, desperdício de dinheiro.
O que o clube precisa para 2020, portanto, é enxugar o elenco. Há muitos jogadores que podem muito bem ser dispensados sem prejuízo para o time. Vou dar alguns exemplos: Werley, Fellipe Bastos, Sidão, Bruno César, Marquinho... A economia em si já seria considerável. Dispensando determinados atletas, o Vasco precisa contratar pontualmente justamente para evitar que o elenco fique cheio demais. E na hora de contratar é preciso considerar que vale mais à pena gastar, por exemplo, 500 mil com um bom jogador, do que o mesmo valor com 4 jogadores abaixo da média. Isso é um investimento de risco. Mas não é contratar alguém como o Bruno César (caro e sem retorno); precisa-se analisar bem o mercado e dar uns três tiros certeiros. Contratar bem, sem fazer loucuras, mantendo a austeridade e destinando o dinheiro de maneira eficiente. Tem que afinar a pontaria.
Saudações vascaínas.
P.S.: é válido ressaltar o que o Luxemburgo falou em um dos vídeos semanais: quando o futebol vai bem, o clube passa a ter maior retorno financeiro, seja através do próprio torcedor que passa a frequentar mais o estádio, comprar mais produtos, seja pelo lado da atração de investimentos e patrocinadores.



Belo texto. Amei.
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