Aqui é Vasco

     Não existe um esporte melhor que o futebol. Só nele equipes com discrepância técnica grande podem se equiparar. Quando é clássico então...

     Se você é vascaíno e não ficou satisfeito na última quarta, lamento dizer que você está sendo vascaíno da maneira errada. "Ah, tá comemorando empate" alguns vão dizer; outros dirão que ficar alegre com o que aconteceu na quarta é sinal de apequenamento do clube. Estão enganados. O que aconteceu na quarta-feira só mostra o quanto nós somos GIGANTES.

(Foto: Rafael Ribeiro)

    O flamengo tem uma folha salarial de 7 milhões de reais, mais que o dobro da do Vasco (3,3 milhões). No time deles, quando não tem Everton Ribeiro, Arrascaeta entra. Sai Gerson e o atacante de 54 milhões de reais vai a campo. Enquanto isso esperamos que o time reaja durante o jogo com as entradas de Bruno César e Ribamar (nada contra os dois como pessoas, a crítica vai aos seus desempenhos técnicos). Os rubro-negros estavam invictos há 19 jogos, sem derrotas em casa no Brasileirão (se considerarmos que, de fato, eles não têm casa, é algo fácil de se conseguir). Já o Vasco que entrou em campo luta por um meio de tabela, sem jogadores com grande destaque, sem grande investimento e, além do mais, estava totalmente desacreditado para esse Clássico dos Milhões.

     Se dependesse da flapress, o jogo nem precisaria acontecer. Era simplesmente entregar os 3 pontos para o urubu e pronto. A partida já estava definida. Os daquele time talvez tenham comprado a ideia da mídia, pensado a mesma coisa e acabaram por esquecer que futebol se joga de chuteira e não de salto alto. A torcida flamenguista já tinha comprado chocolate para nos presentear; nos bolões da vida, inclusive do que participei, quase 100% das pessoas acreditava numa vitória do urubu. Uma "pena" terem esquecido que jogo é jogado e lambari é pescado. O Vasco, por sua vez, apesar de no minuto inicial aparentar um medo, se mostrou valente e pôs o coração na ponta da chuteira. Brio, vontade, raça, dedicação, transpiração, nada disso faltou ao nosso time.

   O Vasco está longe de ser um time brilhante. Temos um conjunto bastante limitado. No entanto, o grupo não foge da luta. Independente de salários atrasados ou de não estarmos brigando por algo que o clube realmente merece, como diz o Gustavo Villani, ninguém dá nada de graça. Há algum tempo eu não sentia tanto orgulho de ser vascaína. A camisa cruzmaltina foi honrada e é isso que nós devemos exaltar. Jogamos como Vasco, sem ser intimidados, sem fazer corpo mole, acreditando que podíamos (e merecíamos!) ganhar aquele jogo, realmente jogando bola, preparados taticamente (a propósito, muito boa a estratégia do Vanderlei).  Fomos o único time, inclusive, a marcar 4 gols no flamengo nesse Brasileirão. Saímos de campo dignificados.

    Não tem jeito: quando falta qualidade técnica, tem que sobrar coragem e raça. Todas as bolas precisam ser disputadas como se a vitória dependesse, e depende, disso. Luxemburgo trouxe isso para o grupo: aqui é Vasco, vamo honrar essa camisa! Nosso elenco é disposto, não há preguiça. Se não vamos sentir orgulho pela técnica dele, precisamos reconhecer o tamanho do comprometimento que esse grupo demonstra. O trabalho precisa continuar assim até o fim: reconhecendo as limitações, se organizando e se comprometendo taticamente, deixando tudo em campo. Humildade. Qualidade esta que faltou a um certo jogador do rival. Cuidado, moço, o mundo dá voltas. Respeita, porque aqui é Vasco.

     Saudações vascaínas.

     P.S.: Ficar orgulhosos desse time nada tem a ver com aliviar o lado do departamento de futebol. É preciso se organizar o quanto antes para que no próximo ano o nosso orgulho vá além do que é agora.
   
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