E agora, José?

    Para grande parte dos torcedores, Jorginho já estava destinado a fracassar no comando do time vascaíno. Para Campello e o comitê gestor do futebol, no entanto, foram necessários 10 jogos, 4 vitórias, 5 derrotas, 1 empate, eliminação na Copa do Brasil e na Sul-Americana até entenderem que Jorge de Amorim Campos NÃO é treinador para o Club de Regatas Vasco da Gama. Nosso ex-treinador já tinha demonstrado sua incapacidade na Série B de 2016, quando o Vasco só conseguiu o acesso na ÚLTIMA rodada e em terceiro lugar. Campello preferiu seguir sua vontade e contratou Jorginho para o lugar de Zé Ricardo que havia perdido demissão após a derrota para o Botafogo. O ex-lateral da Seleção Brasileira foi contratado com o principal objetivo de dar um jeito na defesa. Ao invés disso, conseguiu piorá-la. A culpa, é claro, não é só dele, mas sua parcela é grande. No Brasileirão, sob o comando de Zé Ricardo, o Vasco tomou 12 gols em 8 jogos, média de 1,5/jogo, além de balançar as redes também 12 vezes. Já sob o comando de Jorginho, no mesmo campeonato, em 7 jogos o gigante da colina sofreu 13 gols, média de 1,8/jogo, e fez apenas 8 (1,14/jogo). No total foram 10 jogos, 43% de aproveitamento, 4 vitórias, 5 derrotas, 1 empate, 16 gols sofridos e 12 gols marcados.
    
    Os últimos técnicos do nosso clube pouco nos empolgaram. Zé Ricardo nos animou com uma boa arrancada no fim do ano passado, mas, esse ano, suas insistências nos tiraram a paciência e ele "morreu" abraçado às convicções que só existiam para ele. Segue o histórico dos últimos 3 treinadores antes de Jorginho:

  • Zé Ricardo - 50 jogos; 22V; 13E; 15D; 52% de aproveitamento; 70 gols pró (1,4/jogo) e 65 gols contra (1,3/jogo);
  • Milton Mendes - 28 jogos; 11V; 6E; 11D; 46% de aproveitamento; 30 gols pró (1,07/jogo) e 38 gols contra (1,35/jogo);
  • Cristóvão Borges* - 14 jogos; 7V; 2E; 5D; 54% de aproveitamento;
     Me arrisco a dizer aqui que o último treinador de respeito e com respaldo a dirigir nosso time foi Ricardo Gomes. Até sofrer o AVC, o comandante teve cerca de 64% de aproveitamento a frente do clube carioca. Penso que um time pronto caiu no colo de Cristóvão e assim é mais tranquilo seguir com um bom trabalho. Depois da Libertadores de 2012, o Vasco retrocedeu na questão de estilo/padrão de jogo. Basicamente, o que os treinadores têm feito é jogar fechados e buscar um gol no contra ataque. Culpa simplesmente dos técnicos? Não. A diretoria é a responsável por contratar novos jogadores, então, tem sua (i)responsabilidade neste assunto. Contudo, os treinadores também indicam atletas a serem contratados. Sabe o Bruno Silva, volante? Indicação de Zé Ricardo. Nos deu algum retorno além daquele gol contra a LDU?
     
     Voltando aos treinadores, com a já esperada rejeição de Abel Braga (maior aceitação entre os torcedores e diretoria), o mercado, que já era complicado, piora muito. Para esse ano, o clube precisa olhar para o elenco que tem e imaginar quem mais se adéqua aos jogadores do plantel. De nada adianta trazer um treinador que não vai se adaptar às características do elenco. O momento de reformular elenco é no início do ano e não agora. Além disso, é claro e evidente que nosso maior problema na temporada é a defesa. Qual técnico do mercado monta times com defesa sólida? Qual treinador pode extrair o melhor dos nossos jogadores? Nosso elenco não está entre os piores do Brasileirão como eu já disse em outra matéria, mas é preciso alguém que organize e nos dê um padrão de jogo CONSISTENTE do início ao fim. Vou trazer os últimos números de 3 treinadores especulados sendo que só em um eu vejo real possibilidade de melhorar nossa situação. Quanto a Celso Roth, brincadeira tem hora...

       1 - Jair Ventura.
           1.1: 2016 Botafogo - 22 jogos; 12V; 3E; 7D; 59% de aproveitamento;
           1.2: 2017 Botafogo - 73 jogos; 31V; 18E; 24D; 50% de aproveitamento;
           1.3: 2018 Santos - 39 jogos; 14V; 10E; 15D; 44% de aproveitamento;

       2 - Doriva (pasmem).
           2.1: Novorizontino + Ponte Preta: 24 jogos; 9V;
           2.2: CRB - 7 jogos; 2V; 3E; 2D; 43% de aproveitamento;
           2.3: Vasco - Campeão estadual 2015; 33 jogos; 15V; 9E; 9D; 54% de aproveitamento; último              colocado no Brasileirão;

       3 - Luxemburgo.
           3.1: Sport 2017 - 34 jogos; 11V; 8E; 15D; 40% de aproveitamento;
           3.2: chegou a levar o Sport à quinta colocação do Brasileirão, mas despencou e deixou o clube            em décimo quinto, além de ter sido eliminado na Copa do Brasil e na Sul-Americana;

     Entre as ínfimas boas opções oferecidas pelo mercado, Jair Ventura me parece a melhor e mais acertada escolha.  É uma certeza que vai dar certo? Não. É certeza que algum outro nome também dê bons frutos no clube? Não. Quanto a Valdir Bigode, só seria minha escolha caso Abel, Roger (que não estou considerando porque, dificilmente, ele aceita um trabalho já iniciado) e Jair não aceitassem o desafio. Não vejo nenhum perspectiva de inovação ou mudança com Bigode à frente do elenco e não há mais margem para erro nesse ano, creio que efetivá-lo seria muito arriscado, tanto para ele quanto para nós. Virão dizer que ele nunca perdeu um jogo comandando o time, no entanto, as partidas sob seu comando foram esporádicas e não dá para fazer uma boa avaliação simplesmente por elas. Além disso, pensar em nomes como Milton Mendes, Cristóvão Borges, Celso Roth, Joel Santana é querer, de vez, apequenar o nosso clube. 
     
      Obs1.: a análise aqui é ao que cada treinador oferece e pode oferecer enquanto PROFISSIONAL. Nessa análise não são levadas em consideração questões pessoais. Máximo respeito à pessoa de cada um.
      Obs2.: esperamos, também, a contratação de um preparador físico a nível Vasco da Gama.
   
 
      Saudações vascaínas.


*O aproveitamento dos técnicos é uma porcentagem aproximada;
*Os números de Cristóvão Borges incluem a Flórida Cup;
       

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