Feliz (?) Aniversário antecipado
20/08/2017; Bahia x Vasco, véspera do aniversário do Club de Regatas Vasco da Gama. Uma das poucas oportunidades de ver o Vasco na Bahia e saí da Fonte Nova com 3 na bolsa.
20/08/2017; Vasco x Ceará, véspera do aniversário do Club de Regatas Vasco da Gama. 15.589 presentes em São Januário, em plena segunda-feira, saíram não apenas com um terrível empate, mas também com a certeza de que o time entra de vez na luta contra o rebaixamento.
O Vasco vem fazendo há vários dias uma preparação para a comemoração do aniversário de 120 anos do clube, melhora no marketing, painéis em São Januário, contratação de jogadores que vinham atuando no exterior, novo mascote... e? E vai 'festejar' estando em décimo quinto lugar, a UM ponto da zona do rebaixamento, sem técnico confirmado e em plena crise. Os parabéns vão para os envolvidos. Não venham dizer que "ah, mas temos 2 jogos a menos"; fala sério, um time que não ganha do Ceará em CASA vai ganhar de Santos e Atlético-PR FORA?
Vamos ao jogo. Pobre, pobre, pobre em qualidade técnica; de bonito, para nós, só as canetas de Thiago Galhardo e os bons pivôs de Máxi. O Vasco começou até bem o jogo, em cima, tentando pressionar. Aos 5min, a primeira chance: Wagner, que voltou a ser titular, obrigou o goleiro do Ceará a fazer boa defesa numa cobrança de falta. O jogo era amarrado, Ceará muito bem fechado, o time carioca tocava muitos passes do meio campo para trás, não conseguia criar boas chances. Aos 26min, mais uma falta, dessa vez Giovanni Augusto cobrou e Everson, goleiro do Ceará, encaixou a bola com facilidade. No lance seguinte, o time cearense assustou com um chute de fora da área de Ricardinho. O chute, por si só, já assustaria qualquer torcedor, mas, pra quem tem um goleiro que só sabe jogar adiantado, o susto é bem maior. O Ceará começou a ter mais a bola graças, principalmente, à falta de combatividade dos jogadores cruzmaltinos. Abro um parênteses para falar que o Vasco é um time com um total de zero pegada, zero agressividade na marcação; como sempre dá pra piorar, nosso interino resolveu tirar o meio campista vascaíno que mais rouba bolas e manteve o volante que marca tão bem quanto Wellington. Além de uma defesa em dois tempos de Everson e uma tentativa frustrada de Máxi dominar uma bola na entrada da pequena área, o Vasco não assustou os torcedores do vozão. Mas o time cearense teve mais duas boas chances. Aos 35min, depois de Arthur errar um voleio e a bola bater no nosso pseudo cão de guarda, a bola sobrou na entrada da área para Richardson chutar contra o gol do arqueiro vascaíno; felizmente, bola pra fora. No fim do primeiro tempo, com 45min, Everson cobrou uma falta com muita qualidade e perigo; felizmente, mais uma vez, a redonda passou à direita de Martín Silva.
Com todo respeito ao vozão, um time jogando em casa, com mais de 15.000 torcedores, enfrentando o vice lanterna do campeonato e precisando da vitória não pode se conformar com essa atuação, não pode jogar com preguiça, com lentidão, porque, vejam só, calma e paciência são diferentes de lentidão. Para o segundo tempo, qualquer vascaíno esperava alguma alteração na equipe. Giovanni Augusto, que já não vinha fazendo uma boa partida, era o meu favorito para deixar o campo. Bigode, no entanto, não pensou como eu e só não manteve a escalação inicial porque Ramon, que sofre do mesmo mal que Breno, precisou ser substituído porque sentiu a coxa desde mais ou menos metade da primeira etapa.
O segundo tempo era tudo ou nada. Ganhar e subir para décimo, se afastando consideravelmente da zona de rebaixamento, ou empatar/perder e virar porteiro. Logo aos 2min, Wagner abriu para Giovanni Augusto partir sozinho pela esquerda. Ele levou a bola até a grande área, Máxi entrou desmarcado, Pikachu mais pela direita da área e Giovanni conseguiu errar o cruzamento. Como no primeiro tempo, o início do segundo foi com o Vasco tentando ter o domínio, tentando chegar à frente. Com 10min, Pikachu recebeu cruzamento de Wagner, se antecipou, quase dominou e quase chutou; bola pra fora, mas uma boa chegada. Aos 14min, soltamos o grito que estava entalado na garganta há dois jogos no Brasileiro. O zagueiro do Ceará cortou mal, Máxi Lopez protegeu bem a bola e deu assistência para o gol de Wagner. Ufa, parecia que, mesmo aos trancos e barrancos, conseguiríamos os 3 pontos. Fazendo memória a outra partida, vocês se lembram do jogo Vasco x Paraná desse ano? Ganhávamos de 1x0 e tivemos um pênalti a nosso favor; era a chance de matar o jogo. Giovanni Augusto, porém, decidiu bater o pênalti no lugar de Pikachu. Resultado? Cobrou mal e perdeu a chance de ampliar a vantagem. Naquele dia, felizmente, apesar do sofrimento, conseguimos a vitória. Voltando para o dia de hoje, Giovanni, aos 18min, novamente teve a chance de matar o jogo. Pikachu fez um excelente cruzamento, o meio campista recebeu a bola SOZINHO e cabeceou no meio do gol. Perdeu a chance de matar o jogo, botar a vitória no bolso. Mas, senhores(as), assim como Muricy Ramalho, nós sabemos que a bola pune. O Ceará, dois minutos após a nossa chance desperdiçada, fez valer duas máximas do futebol. A primeira: quem não faz, leva. A segunda: se não tomar gol de cabeça, não é o Vasco 2018. Num escanteio originado de uma jogada pelo aberto lado direito da defesa vascaína, Ricardinho cruzou na área, Martín fez um vou não vou, Bruno Silva subiu junto com Tiago Alves que marcou o gol do vozão. Abro mais um parêntese, agora para falar de Martín Silva. Depois da Copa, nosso arqueiro parecia ter voltado à sua melhor forma, os 3 primeiros jogos me fizeram pensar isso. Mas agora vejo que ele vem falhando. Não que as vitórias sejam simplesmente culpa dele, mas ele tem sua parcela. Contra o Corinthians, saiu do gol de maneira bisonha num dos gols; contra o São Paulo, não se jogou na bola do segundo gol tricolor; hoje, fez que ia na bola e não foi, acabou ficando vendido no lance, além disso, a gente sabe que a pequena área é do goleiro, precisava de mais atitude.
Após o gol, até os 35min, nenhuma grande chance de nenhum dos lados. O lateral Samuel Xavier até tentou facilitar nossa vida após uma entrada imprudente no novo Chico Bento; expulsão. Dos 35 aos 50min jogamos com um jogador a mais. A essa altura, Wagner já tinha dado lugar a Vinícius Araújo; algo inexplicável porque Wagner vinha muito melhor que o improdutivo e ineficiente Giovanni Augusto. Castán já havia sido praticamente esmagado numa jogada aos 30min e seria substituído por Lenon (sim, ele existe, felizmente não é uma Lasa da vida). Mesmo com um a mais, o Gigante da Colina não conseguiu nada mais que uma boa chance com Vinícius que driblou o goleiro, mas chutou fraco. Fabinho, apesar de quase na linha do gol, tirou a bola sem muio alarde. Sem nada mais a acrescentar, o jogo se encerrou aos 50min.
Hoje pagamos o preço de uma escalação sem nenhuma explicação realmente plausível. Bruno Silva na zaga foi o de menos, nem dá pra dizer que comprometeu (apesar de estar no lance do gol do Ceará). Valdir deixou Andrey, nosso melhor jogador de meio, no banco. Enquanto isso, Wagner e Giovanni Augusto atuaram juntos e isso não pode acontecer, até Jorginho já tinha percebido isso! Lembram de 2011, quando questionavam se Juninho e Felipe podiam jogar juntos? Agora diminua uns 50% da qualidade de cada um: é Giovanni e Wagner atuando juntos. A escalação foi a especulada, mas o Vasco não atuou num 4-1-4-1, Thiago Galhardo, depois de Pikachu, nossa melhor opção ofensiva nos últimos jogos, foi recuado para jogar de volante, o que deixou ele praticamente improdutivo. O que o time tentou foi basicamente explorar o bom pivô de Máxi e, no final, meter bola na área. Fomos desorganizados os 96min, um time frágil como sempre, com recomposição lenta, sem marcação agressiva e, me arrisco a dizer, até mesmo sem vontade que era o que nos restava nas últimas exibições. Saímos com mais problemas que com soluções. As baixas mais eminentes: Castán deslocou o ombro direito e machucou um dedo da mão esquerda, Ramon sentiu a coxa. Creio que o que podemos tirar de bom é que Máxi, apesar de não aparentar estar na melhor condição física, fez boa partida e pode acrescentar no decorrer da temporada; Lenon parece saber cruzar e espero que tenha sequência; Luiz Gustavo mostra, mais uma vez, que é muito útil ao elenco, pois, além de ser multifuncional, não é de vidro. Espero que de presente de aniversário a diretoria ao menos apresente um novo técnico, porque, apesar de aclamado por parte da torcida, não dá pra apostar no Bigode ainda mais nas condições atuais. A propósito, belo dia para estrear o novo mascote, ele nos representa bem: o almirante pistola.
Feliz aniversário, vascaínos. Que possamos viver dias e noites melhores que as atuais. Hoje é festa, dia 22 a gente volta a se estressar.
Saudações vascaínas.


Comentários
Postar um comentário