Inspiração para o jogo de volta
É sempre bom lembrar de conquistas e vitórias antigas, especialmente quando o presente não é tão animador. Felizmente, o jogo que vamos lembrar não apenas nos faz ficar satisfeitos com um time do passado, mas nos dá ânimo para o jogo de mais tarde, ao menos aumenta a nossa esperança.
Em 2011, o Vasco teve o seu melhor time da década atual (ou até o melhor dos últimos 17 anos). Cada jogo gerava expectativa, não que hoje não fique ansiosa com os jogos, mas estar disputando títulos de igual para igual com outros clubes nos empolga mais. Para os mais jovens como eu, aquela temporada foi a melhor que já acompanhamos. Enfim, no mês de outubro daquele ano, o Vasco disputava as oitavas de final da Copa Sul-Americana. Há algumas coincidências com a disputa desta quinta-feira:
- Apesar de estarmos em uma fase diferente, o campeonato é o mesmo;
- Enfrentamos um time que manda seus jogos na altitude;
- Poupamos alguns jogadores no jogo de ida;
- Perdemos a primeira partida por 3x1.
O time adversário era diferente: Aurora - Bolívia. A primeira partida foi disputada em Cochabamba, 2560m de altitude, dia 05 de outubro. Entramos em campo com um time mais que misto, alguns titulares, confesso, nem lembro da fisionomia: Julinho (lateral), Jonathan (meio-campo), Leandro e Patric (ambos atacantes). Como já ficou claro esse ano, temos dificuldades na altitude. Muitos erros e, apesar do gol de Bernardo aos 40min do primeiro tempo, sofremos na etapa final e tomamos 3 gols. Saímos da Bolívia com uma derrota de 3x1. Diferença considerável, no entanto, assim como hoje, possível de ser revertida. O clube boliviano era inferior ao brasileiro, assim como a LDU é inferior ao nosso time hoje.
O jogo de volta aconteceu no caldeirão. São Januário, 19:10, pouco mais de 6.000 pagantes. Dessa vez o time titular tinha mais rostos conhecidos e importantes: Juninho Pernambucano, Alecsandro, Allan, Fellipe Bastos (além de Fágner e Fernando Prass que haviam sido titulares já no jogo de ida). Era preciso apertar o Aurora desde o início. O primeiro objetivo era fazer um gol cedo para dar alguma tranquilidade na busca do resultado. E conseguimos: aos 8min, Bernardo, como no primeiro jogo, marcou para o Gigante da Colina. E que golaço, senhores. Após passe de Juninho, o jovem driblou dois adversários dentro da grande área e soltou um canudo; a bola ainda bateu no travessão antes de entrar. Pronto, só precisávamos colocar mais uma bola na rede e não levar nenhuma. Contudo, como vascaíno raramente fica em paz, Andaveris marcou para o Aurora aos 15min. O zagueiro Douglas tentou cortar a bola com um carrinho, mas ela bateu no jogador do time boliviano e foi com força para o gol. Passamos a precisar de mais 3 gols para avançarmos sem a necessidade dos pênaltis. Felizmente, ainda no primeiro tempo, Alecsandro, que já havia desperdiçado algumas chances na partida, marcou duas vezes. O primeiro aos 38min: cabeçada após cobrança de falta do reizinho; o segundo aos 44min: outro gol de cabeça, dessa vez, após cruzamento de, não se confunda, Julinho. Vale lembrar que, antes do primeiro gol do atacante vascaíno, o time boliviano teve um jogador expulso, 35min. Terminamos a primeira etapa com o resultado que levaria a decisão para as penalidades. 3x1.
O segundo tempo começou e o time carioca manteve a pegada. Já aos 3min, Alecsandro participou de mais um gol: na grande aérea e de primeira tocou para Leandro marcar o quarto gol vascaíno. O time boliviano não levava muito perigo ao gol de Prass. Para ser justa, assustaram com uma cabeçada que passou perto da trave direita do gol vascaíno. Para deixar as coisas ainda mais tranquilas, o atual lateral da seleção brasileira sofreu um pênalti. Juninho não desperdiçou e nós aumentamos a vantagem aos 23min; 5x1. Ainda nos assustaríamos um pouco porque Diómedes Peña fez o segundo gol do Aurora aos 26min num pênalti cometido pelo arqueiro vascaíno; mais um tento boliviano e a classificação passaria para as mãos adversárias; 5x2. Para aliviar o nosso coração, Bernardo estava em uma noite inspirada e os travessões estavam de bem com ele. Após jogada de Allan (saudades) e passe açucarado de Juninho, o xodó do ano chapou a bola que, mais uma vez, bateu no travessão antes de entrar. Sexto gol vascaíno e ainda houve tempo para mais. Apesar de Reinoso, atacante do Aurora, ter levado perigo ao gol vascaíno pouco tempo antes, quem marcou mais uma vez foi o Gigante da Colina. Allan cruzou na cabeça do zagueiro Douglas. Era o sétimo tento vascaíno na noite, 7x2. O time de São Januário, no entanto, não curte muito quando seus torcedores estão mais relaxados e 'resolveu' levar o terceiro gol aos 43min. Mas a noite é uma criança e, enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal. Allanzinho fechou a conta aos 47min após driblar dentro da área e acertar o gol boliviano.
Naquele 26/10/11, não atuamos com todos os titulares, São Januário não estava um caldeirão, mas conseguimos reverter o placar e sair com a classificação. Por que, então, hoje, com um público que deve chegar ao dobro do que foi em 2011, com todos os titulares (sei que alguns sem a mesma qualidade dos de outrora), com a volta da bateria à arquibancada, não podemos virar o jogo? Confiança, vascaínos, o Vasco é o time da virada. Se você é do Rio de Janeiro e, claro, se for possível, faça um esforço para ir ao estádio hoje e apoiar o time. Se você estará em São Januário, por favor, (sem querer ser fiscal de torcedor) apóie o time até o fim, deixe para vaiar quando não tiver mais jeito; por 90min esqueça a nossa implicância com Jorginho. Proteste no final se for o caso.
Saudações vascaínas.


Vamos nessa VASCÃO.
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