Dá para escapar

A experiência do jogo de hoje foi nova pra mim: assistir o jogo num boteco, sem áudio e com um monte de gente ao redor que não estava ali para ver o Vasco. Não é estranho se eu disser que qualquer reação mais extravagante causaria estranheza em quem não dava a mínima para a partida. Antes de eu chegar lá o jogo já havia começado e ainda tive uma ponta de felicidade no caminho ao ouvir pelo rádio que algo tinha acontecido numa assistência de Marrony. Comemorei como um gol, afinal eu achava que realmente o Vasco tinha aberto o placar. Sonho meu. Pelas atualizações do Google descobri que ainda estava 0x0 e, depois, já assistindo ao replay do lance, percebi que a assistência do jovem era simplesmente para um chute fraco de Andrey. 

Essa maneira diferente de acompanhar o jogo eu não recomendo para ninguém, para os vascaínos muito menos. Não há como se controlar com um time que te estressa do início ao fim. Se algum vascaíno não estava temeroso com o jogo de hoje, por favor se manifeste. A chance de tomar um sacode igual no jogo contra o Santos era do tamanho da torcida do Vasco. Incrivelmente, fomos melhores que o Inter (e muito) no primeiro tempo. E aqui entra o que escrevi no último texto: a única coisa constante no Vasco é a inconstância. Bem contra o Flamengo, péssimo contra o Bahia. Seguro contra o Cruzeiro, terrível contra o Sport. Hoje o time entrou ligado, atento, com vontade de ganhar, buscando (claro que com muita limitação) o gol. Mas por que não entra assim em todo jogo? Por que não jogou assim contra o Paraná e contra o Sport? Por que se doar apenas quando o calo aperta mais? Não consigo compreender.

Continuamos bem no segundo tempo, mas só até as pernas dos jogadores aguentarem. A preparação física desse time é RIDÍCULA. Aos 20min começarem a morrer em campo e o Inter se assanhou, especialmente pelo lado de direito que já não tinha eficiência na cobertura do nosso pseudo-lateral melhor que os ''verdadeiros''. Quando o gol começou a amadurecer, um balde de água fria. Martín espalmou uma bola para o MEIO da área, me arrisco a dizer que foi infantil no lance, e o jogador do Internacional não perdoou. Não sei a reação da torcida no estádio, já que não conseguia ouvir nada, mas a minha foi um tapa muito bem dado na mesa quase proporcionando um banho de cerveja em alguém. Fato é que a pressão em São Januário deve ter aumentado e, após o juiz ter negligenciado a marcação de 2 pênaltis a nosso favor, resolveu, com o auxílio do vigia, acertar. Como nunca podemos ter uma paz completa, o juizão foi até o vigia e aí vinha o medo dele voltar atrás. Na hora do lance, nem achei que tinha sido pênalti, não prestei atenção e o árbitro apontou para a cal. Minha mente não conseguia capitular como tinham assinalado aquela falta, mas, depois dos replays, ficou claro que o vigia acertou. Maxi, que vai sair do Vasco com problemas na coluna de tanto carregar o time nas costas, não desperdiçou a oportunidade e garantiu o empate e alguns pontinhos no meu Cartola.

Muitas coisas faltam nesse time, mas as duas principais são constância e preparo físico. Ou o time mata o jogo antes dos 15/20min do segundo tempo, ou as chances de perder duplicam, porque a maioria dos jogadores não se aguenta em campo. Por fim, ao menos conseguimos um empate e pude ficar em paz com minha camisa na rua (imagina se tivesse levado uma sacudida?). A vitória hoje era de extrema importância, mas nem tudo está perdido. Nas minhas primeiras contas eu não considerava nem um empate contra o Santos nem contra o Inter. Esses 2 pontos compensaram os desperdiçados contra o Paraná. Agora vão ter que se virar para repor os 3 perdidos contra o Sport. É bom que os jogadores descansem para não morrerem contra o Fluminense no próximo sábado (UMA SEMANA para recuperar!!!). Há coisas boas para repetir contra o tricolor das Laranjeiras. Se conseguir repetir a boa atuação do primeiro tempo, dá para escapar.

Para terminar, não estava muito atenta quando o Fabrício foi substituído e só um pouco depois fui entender o porquê da revolta (achei até que havia sido expulso). A primeira coisa que o jogador precisa entender é que ele é um profissional e precisa ser cobrado. A segunda é que as vaias foram e são merecidas, já que um homem que joga como armador precisa criar jogadas e isso muito raramente ele faz. A terceira é que ele precisa parar de se fazer de vítima. A quarta é que se tá achando ruim, pede para sair; infelizmente da última vez que 'pediu' (me refiro ao evento da foto), não deu certo. Respeite a torcida e a instituição. Pediu desculpas, mas precisa se controlar. O Vasco é maior que qualquer jogador.

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Saudações vascaínas.

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