"Ei, Vasco, vamo jogar!"

Ultimamente, quando assisto jogo do Vasco, penso que Maxi Lopez chega em casa e se pergunta "o que eu fiz com a minha vida?". Sabe quando você chega no baba (pelada) atrasado(a) e só sobrou o pior time? O sentimento deve ser semelhante ao do Maxi quando entra em campo com esse bando. O coitado tomou até remédio porque, como disseram no Twitter, carregar o time nas costas não é fácil. O quanto ele deve se revoltar com as atuações do Vasco não dá pra expressar aqui, assim como um texto não vai ser suficiente para eu demonstrar toda minha insatisfação com o time (mesmo que eu não considere a parte política). Esse elenco não é pra quem acredita, mas sim para masoquistas. NENHUM torcedor assiste um jogo inteiro desse time sem em algum momento perder as estribeiras. Inclusive, esses dias vi um rapaz que colocava dinheiro num cofrinho toda vez que o time dele o estressava. Acho que vou começar a fazer isso e economizar uma grana; é capaz que o dinheiro seja suficiente pra comprar um carro 0Km no fim de ano.


Ninguém aguenta mais vascaíno se revoltando e se lamentando, mas eu vim fazer isso aqui só para variar um pouquinho. O título do último texto foi "o sofrimento não pode parar" e eu podia usar o mesmo para o de agora. Não é possível que o sofrimento pare se o atual treinador comandou o time em NOVE jogos e só conseguiu uma vitória. O sofrimento não para com o mesmo treinador mudando a escalação em todos os jogos (é verdade que nem sempre por pura responsabilidade dele). Como parar o sofrimento se tem jogador se arrastando em campo? Todo castigo é pouco para clube que tem um golpista na presidência. Seguimos.
  • Valentim só conseguiu uma vitória no comando do Vasco: disse hoje na entrevista que ele não monta time defensivo. Ora, ora, pois, pois, professor, se o senhor não consegue ver que o time tem um sistema defensivo que ultrapassa os limites do ridículo, peça pra sair e vá montar time ofensivo no raio que o parta. Um time limitado como o nosso não pode simplesmente se lançar ao ataque de qualquer jeito. Com Valentim no comando, nosso time só saiu na frente em duas oportunidades. Em todos os outros sete jogos teve que correr no desespero atrás do placar. Muito provavelmente, se fosse mais seguro atrás, não sofreria tanto. Uma ressalva: o time ofensivo tomou 12 gols e só fez 7;
  • Valentim não repete escalação: se o Vasco terminar um jogo sem nenhum jogador machucado ou suspenso, uma tempestade imensurável cai no Rio de Janeiro. O Vasco tem um médico como presidente interino (é gratificante poder escrever isso) e o Departamento Médico não pode ser considerado nem como um lixo: é um verdadeiro buraco negro. Aí não tem como repetir time. Além do mais, nosso "treinador" adora inventar; hoje, por exemplo, o time foi a campo com nada mais nada menos que quatro laterais de ofício; 
  • Jogador se arrastando em campo: se alguém pensar diferente, acho que não assistiu o mesmo jogo que eu. Pikachu, importantíssimo no ano, decisivo em muitos jogos, parece que simplesmente não se importa mais com o que vai acontecer no jogo. Lento, sem vontade, com uma inhaca terrível. Andrey quando entra de titular justifica o porquê de ficar no banco. Displicente, lento, na Terra X. Quanto a Giovanni Augusto vou registrar só uma coisinha: desperdício de qualidade técnica.
Resultado: time apático, sem poder de fogo e sem pegada na marcação, meio campo com um espaço inocupado maior que a Amazônia, Maxi irritado como um verdadeiro vascaíno fica. Sempre que o Botafogo (e outros times em outras partidas) chegava ao ataque levava perigo; cada bola na área era um mini infarto pra gente. E quando o time resolvia atacar, tinha tanta emoção quanto um carrossel. Para não fugir da rotina, tomamos um gol porque a entrada da área é espaço restrito do adversário, os jogadores do Vasco não podem marcar ali. Luiz Gustavo, que tem de caneludo o que tem de raçudo, desviou um chute e quase nos mata de vez. O alvinegro chegava quando queria, do jeito que queria, especialmente nas costas de Pikachu (achei que ele pudesse funcionar de novo na posição de origem, mas vascaíno não pode nutrir esperanças). Parecia que a gente tava jogando contra o Jorge Wilstermann na Bolívia de novo. O ataque era inoperante. Passamos grande parte do campeonato brasileiro sem ter uma jogada de ataque característica. Quando Maxi chegou, ao menos uma jogada passou a ser bastante eficiente: o pivô do número 11. E o que os jogadores fizeram nesse jogo? Simplesmente não utilizaram nossa opção ofensiva. Ao invés disso, os laterais, que não eram poucos, metiam bola na área de qualquer jeito. Vamos deixar uma coisa bastante clara: o Brasil é uma fábrica de fazer laterais incapazes de cruzar uma bola direito. Nosso principal atacante, então, quase não tocava na bola. Além dos pseudos cruzamentos, William Maranhão tava se achando o Juninho Pernambucano e sempre tentava chutar uma bola de longa distância. As tentativas só não foram um fracasso completo porque Maxi conseguiu aparar um dos chutes, dominar e fazer o gol. Mais que isso do nosso lado durante todo o jogo só dois chutes de Andrey, uma cabeçada de Henrique e NOVE passes errados do nosso maestro Felipe (é Fabrício, mas Valentim pensa que é o Felipe).

Com uma atuação tão pífia, o empate foi até uma conquista, mas que não é suficiente para nos aliviar. Isso porque o Vasco é o time mais protelador desse campeonato. Contrariando o provérbio, sempre deixa pra depois o que pode fazer hoje. Podia respirar aliviado na última rodada, mas resolveu empatar com o Paraná. O técnico podia substituir na volta do intervalo, mas deixou pra depois. Podia ultrapassar o Botafogo e suavizar o ambiente, mas preferiu lutar contra o desespero. Podia ter elegido o presidente escolhido pelos sócios, mas resolveu atrasar a evolução.

O que se pode aproveitar de bom em relação ao jogo de hoje é a capacidade de decisão de Maxi e a entrega de Rios, este que é muito questionado e muito cobrado, mas ao menos não faz corpo mole como uns e outros. Para o jogo contra o Cruzeiro, provavelmente, teremos os retornos de Rildo e Raul (que estavam machucados) e Castan (cumpriu suspensão automática). Ademais, William Maranhão está fora da próxima rodada por receber o terceiro amarelo e, se com todas as falhas ele é titular, imagina o que não vamos sofrer se Cosendey for substituí-lo. Deus nos acuda. 

Ah, pra não protelar igual o Vasco, o que a gente tinha na cabeça quando pensava que Ramon era a solução para a lateral esquerda? E pra quem quer saber sobre o Breno: se perdeu num labirinto e não consegue sair.


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Saudações vascaínas.


       
       

Comentários

  1. Falou tudo, a situação ta feita. Parabens pelo blog, texto muito bem escrito.

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  2. Não entendo nada de futebol e nem gosto, mas você escreve tão bem que dá gosto de ler. Quem fecha as redações do ENEM é ela. Parabéns!

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