Vascaíno de verdade?
Volta e meia, quando brota um assunto polêmico que envolve o Vasco, aparecem os fiscais de torcedores. "Ah, porque se você faz isso, você não torce pro Vasco", "porque isso, porque aquilo". Vamos concordar que há comportamentos que, de fato, não condizem com um vascaíno, como: desrespeito à instituição, racismo... Mas quem pode determinar o que é verdadeiramente torcer para o Vasco? Já li, por exemplo, que quem não é sócio não pode cobrar o time, então, não é vascaíno de verdade; se não vai ao estádio, não torce para o time. Mais recentemente, na época das eleições e agora, surgiram comentários do tipo "eleitor de fulano não é vascaíno de verdade". As pessoas que soltam essas abobrinhas não fazem ideia da heterogeneidade do país, não conhecem a torcida da qual fazem parte, não sabem ou fingem que não sabem da história do Vasco da Gama.
(Foto: Bancada Vasco)
Só para não passar batido a questão de quem não é sócio e quem não vai ao estádio não pode cobrar, é preciso entender que há outras maneiras de contribuir com o nosso clube. Pay-Per-View e compra de produtos oficiais são dois exemplos. O Brasil é um país com alta desigualdade social, nem todo mundo pode pagar a mensalidade de sócio. "Ah, mas é só 14,98 o plano mais barato", não vou julgar valores, cada um sabe o que pode e o que não pode gastar. O Brasil é um país de dimensão continental, é muita terra! Como alguém que mora no interior do Nordeste, por exemplo, pode ir frequentemente a um jogo do Vasco? Além disso, qual vantagem o programa de sócio traz para esse torcedor? Claro, quem puder deve se associar, isso é muito importante! Mas se faz necessário entender melhor a realidade do torcedor, especialmente daquele que não mora no Rio de Janeiro.
O mais importante desse texto, no entanto, não é a questão de ser sócio ou não. Quero chamar atenção para a questão política. Muito se fala em união dentro do clube, que é preciso pensar mais no Vasco, que os interesses pessoais precisam ser deixados de lado e etc. Enquanto isso, no entanto, parte dos torcedores insistem em tachar quem é vascaíno de verdade e quem não é. A questão em foco no momento é o apoio (ou não) ao presidente empossado. Segundo alguns, quem votou ou apoia o presidente agride a história do clube. Não acho que futebol e política não se misturam, nosso clube outrora se envolveu fortemente na luta contra o racismo, São Januário já foi palco de comício político no século passado. Isso, porém, não significa que podemos tachar A como vascaíno de verdade e B como traidor.
Se decidirmos classificar os vascaínos, é importante lembrar que o Vasco da Gama é um clube fundado por portugueses, católicos, com capela dentro de um estádio que é popularmente conhecido pelo nome de um santo. Ora, sendo assim, protestantes, umbandistas, ateus e pessoas de outra religião não são vascaínos de verdade. Certo? Já que é para tachar os torcedores...
Podemos falar de política dentro do clube, discutir assuntos de cunho social, lembrar a realidade de nosso país? Sim, e devemos. Mas partidarismo NUNCA. O que torna um eleitor de Bolsonaro, um eleitor do PT, um 'isento' menos vascaíno? Gostaria de lembrar que Roberto Monteiro, presidente do Conselho Deliberativo, fez parte da coligação PT-PCdoB em 2016, candidato a vereador pelo PT. Não que eu concorde com sua atuação dentro do clube, muito pelo contrário, mas é essa ligação com o PT em 2016 que o torna menos vascaíno? Então, todo apoiador do Partido dos Trabalhadores é menos vascaíno por conta disso? Ninguém sabe realmente o que leva cada um a apoiar ou não determinado candidato, não conhecemos a realidade de cada pessoa, portanto, é preciso respeito.
Fazer uma escala de "vascainidade" é desunir cada vez mais os vascaínos. As brigas e disputas políticas dentro do clube já destroem nosso clube o suficiente, não precisamos de rachas dentro da torcida, o que o Club de Regatas Vasco da Gama precisa é de união.
Saudações vascaínas.



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